Como e Quando Comecei

Sempre gostei de beber cerveja não só pelo sabor da bebida mas também pela questão de sociabilização que ela traz. Tomar uma cerveja pode significar degustar a bebida ou estar com os amigos num bate papo informal, quando as duas coisas acontecem ao mesmo tempo é melhor ainda.

De uns anos pra cá comecei a conseguir comprar cervejas mais caras, geralmente importadas, e então fui conhecendo outros tipos e rótulos. Ao mesmo tempo começaram a surgir várias pequenas cervejarias nacionais que eu fui acompanhando e provando, sendo cada vez mais surpreendido pela diversidade.

Pra maioria das pessoas falar em cerveja remete às grandes marcas de cerveja de massa, ou seja, Skol, Brahma, Bohemia dentre outras. Essas cervejas tem sim sua função, mas estão longe de ser as boas opções do mercado na minha modesta opinião.

Resolvi então começar a pesquisar na internet e estudar as cervejas artesanais, depois vieram as caseiras. Num dia qualquer descobri que haveria aqui em São Paulo uma feira do ramo cervejeiro chamada Brasil Brau, resolvi ir conhecer. Isso se não me engano foi em setembro deste ano, 2011.

Lá encontrei diversos stands de grandes empresas do ramo alimentício, que são mundialmente famosas e estavam lá como fornecedores de matérias-primas. Ao chegar confesso que fiquei meio desanimado, o clima não era animador pra um amante de boteco como eu.

Resolvi continuar na feira e conforme eu ia mais pro fundo do salão mais eu ficava animado. Alí nos fundos, até por uma questão financeira já que o aluguel dos espaços da frente são sempre mais caros, estavam os stands das micro-cervejarias (algumas até “nano-cervejarias!).

Ambiente fantástico pra mim, de arrepiar. Várias cervejas desconhecidas na frente de um cara que curte explorar os sabores. Fui parando em cada stand, perguntando sobre as particularidades das cervejas, sobre os processos de preparo e tudo mais, até que vi um stand bem simples, que seria o próximo do meu caminho.

Quando olhei vi apenas um rapaz com cara de orgulhoso e uma bomba de chopp à sua frente, ninguém ao redor dele. Fui até lá e perguntei:

— O que tá fazendo aí?

O cara deu um sorrisão e falou:

— Sou de Curitiba e trouxe a minha “breja” pro pessoal provar!

Provei um copo e achei uma delícia, era uma Wit Bier que o cara tinha feito na casa dele. Começamos então a conversar e o cara se mostrou muito atencioso, respondeu todas as minhas dúvidas e me convenceu de que njão seria difícil de eu fazer a minha própria cerveja tendo como 2 vantagens o seguinte:

1 – faria a cerveja usando matérias-primas de qualidade;

2 – faria a cerveja do jeito que EU quisesse.

O stand era da Acerva Paulista. As Acervas, que são associações de cervejeiros caseiros, existem espalhadas pelo Brasil e são unidas em prol das cervejas caseiras, falarei mais sobre o assunto num próximo texto.

Nessa mesma feira comecei a procurar equipamentos mas achei tudo muito caro.

Depois disso descobri que um colega palmeirense também produzia cerveja, é o Felipe “Curitibano”, colega que produz a cerveja Palta. Ele me orientou na compra dos equipamentos e me disse que eu teria 2 opções: montar meu próprio equipamento ou comprar um Kit pronto.

Como eu não tinha o menor conhecimento busquei pela internet e comprei um kit de produção com capacidade pra 20L de cerveja por leva. É este equipamento que uso até hoje (comecei a produzir em setembro passado) e já fiz 3 brassagens, que é o nome dado ao processo de fazer a cerveja, que vou explicar mais em um outro texto.

Assim comecei e estou muito satisfeito com o hobby, foi muito prazeroso abrir a primeira garrafa de uma cerveja que eu mesmo fiz e bebê-la, agora que venham as próximas levas!

PS: No Festival Brasileiro de Cerveja reencontrei o rapaz que me convenceu a fazer cerveja, o nome dele é Luiz Felipe e sua marca é a DUM.

Luiz Felipe é o que está na frente do balcão.

24 respostas para Como e Quando Comecei

  1. Leonardo disse:

    A mágica acontece quando você abre a sua primeira garrafa e ela faz : tsss

    • Amilcar disse:

      Verdade Leonardo, a sensação é indiscritível! Quando abri a garrafa e fez barulho minha mulher falou “Nossa, faz barulho de cerveja”. Quando coloquei a cerveja no copo ela falou “Nossa, parece cerveja!”. Quando bebemos o primeiro gole ela falou “Nossa, é cerveja mesmo!”.

      Isso por que ela viu como foi feita, diz ela que não acreditava que uma cerveja caseira pudesse ficar boa.

  2. Mais um Zootecnista cervejeiro! Parabéns, cara… a paixão move toda a nossa atividade.

    Abraços

  3. Rogério Siqueira disse:

    Meu caro, parabéns pela iniciativa de fazer um blog contando suas experiências. Escrito de forma simples, gostoso de ler. Também comecei há pouco tempo minha produção e vejo os comentários no grupo de email da acerva para aprender mais. Optei por montar meu equipamento. Hoje fiz uma Witbier (3ª leva), estou ouvindo o barulho do airlock no fermentador. É muito emocionante mesmo quando a gente abre a primeira garrafa. Abraço e continue escrevendo sobre suas aventuras no mundo da cerveja…

  4. Amilcar, como vai? Estou bastante empolgado com seus posts, pois estava buscando orientação para as minhas primeiras brassagens. Se não for incomodo gostaria de saber se vc poeria dar uma olhada nesse post que encontrei na net e dizer se o que ele diz vai funcionar🙂.

    http://www.tutomania.com.br/artigo/aprenda-a-fazer-cerveja

    um abraço

    mauricio

  5. André disse:

    Muito bom o blog eu gostaria de saber,onde vc compra malte,lúpulos
    aqui em são paulo vc pode me passar uns endereços,eu mesmo montei o meu quite
    e não vejo a hora de comprar a materia prima e ja fazer a minha cerv.
    Obrigado pela atenção

  6. Isto ai Alemão.

    Sucesso com a Senhora Birra. Precisando de alguma coisa estamos ai.

    Prost.

  7. andreas max schultheiss disse:

    Fantastico Amilcar! Continue assim. Grande abraco aqui da Alemanha.
    Andreas

  8. Victor Hugo disse:

    Cara li tudo, e até arrepiei quando cheguei no final !!!! A melhor cerveja que já bebi é da DUM, uma parceria junto a Walls, a famosa Petroleum. Você começou muito bem, com certeza irei acompanhar o seu blog, e quem a gente consiga trocar algumas informações ?

  9. Flavio GArcia disse:

    Boa noite !!! Muito legal o Blog e consegui muitas informacoes importantes para mim. Uma duvida…..assistindo o video do seu equipamento funcionando antes de colocar os graos vc utiliza uma bomba eletrica. Qual q funcao da bomba ? Esta usando ela para resfriar o mosto ? Se sim, o chiller nao fica contaminado internamente e muito dificil de limpar ? Desculpa se as perguntas sao idiotas mas estou comecando agora e gostaria de entender.
    Abs,

    • Amilcar disse:

      Legal que o blog ajudou, Flávio.

      No vídeo a bomba está ligada pra água da mostura circular e aquecer em “banho maria” quando passa pela panela de cima, onde fica a água quente pelo fogareiro, por dentro do chiller.

      Uso também pro resfriamento. Coloco o chiller dentro da panela de fervura alguns minutos antes de terminar a fervura, assim evita contaminação.

      Encho a panela que fica em baixo com água e gelo e faço essa água gelada circular por dentro do chiller que está na panela que está em cima. A água sai da panela de baixo, passo por dentro do chiller que está submerso no mosto e depois cai novamente na panela de baixo, onde está o gelo. Faço essa recircularção até chegar na temperatura desejada.

  10. Fabiano Rosa disse:

    Meu velho! Muito boa a história!! Isto nos motiva ainda mais para quem quer entrar no mundo das cevas artesanais…. Muito bom mesmo!!! Estou estudando e fazendo alguns acompanhamentos com amigos cervejeiros e no futuro próximo, preparar a minha criação.
    Abraços.

  11. Netto Rolim disse:

    Muito legal todo o seu site, ele está me ajudando muito a tirar todas as minhas dúvidas, já comprei o meu kit cervejeiro e estou esperando ele chegar para produzir minhas próprias cervejas, estou muito ansioso para fazer. Já vi vários videos no youtube inclusive o primeiro foi de uma pessoa que voce citou acima “Luiz Felipe e sua marca é a DUM.”
    Queria parabenizá-lo por todo o seu trabalho.

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